Clube da Musica

sábado, 13 de novembro de 2010

Fala sério, Restart!
Os garotos coloridos dão um tempo nas juras de amor aos fãs para falar sobre marketing, vaias, críticas e rock – seja ele feliz, seja ele infeliz


Foi um empresário espertalhão quem escolheu quatro garotos com características diferentes e meteu uma calça colorida apertadinha em cada um deles. Depois o sujeito jogou os meninos em um estúdio, obrigou-os a ensaiar tudo direitinho e saiu de lá com um produto a ser enfiado em prateleiras, casas de shows, emissoras de TV e onde mais coubesse. Quem pensa que o Restart foi armado assim – não são poucos – mal sabe que os caras tocam juntos desde os 12 anos. Começaram com covers de NX Zero e Guns N’ Roses, mas hoje têm até um gênero para chamar de seu, o tal happy rock: rock puxado para o pop, com letras festivas ou apaixonadas e arranjos diretos, tudo envelopado em visual new wave.

Pedro Lucas, Pedro Lanza, Thomas Machado e Lucas Henrique Kobayashi já podem apresentar o RG para comprar bebidas, sabem exatamente onde estão pisando e não estão dispostos a passar o bastão (fluorescente) para outra banda que também aposte na sonoridade pós-emo. “Hoje, mais do que músicos, somos donos do nosso negócio”, resume o vocalista e guitarrista Pe Lu, o mais velho da turma, com 19 anos – quatro deles passados em conservatório. “Eu gosto para caramba do som da minha banda e entendo de música. Eu posso discutir com alguém sobre os prós e os contras. É um som bem trabalhado: é simples, mais cru. Não tem tanta firula, mas não é um pop tão simples assim, não é tudo jogado. As coisas são pensadas.”

Embora já tenham trocado selinhos com Hebe Camargo, contracenado com Rodrigo Faro fantasiado de membro da banda, peregrinado por programas de TV e levado cinco estatuetas no VMB, da MTV, o Restart ainda é um negócio pouco esmiuçado e bastante recente. Hoje, faturam no mínimo 100 mil reais por apresentação, e são de 12 a 15 por mês. Faz as contas aí... Mas a Restart S/A também capitaliza de outras formas. “Procuramos agregar outros produtos às músicas. São várias ações”, explica Koba. No começo deste ano, a banda lançou edição especial de camiseta que vinha com o single “Nosso Verão” – a tiragem de 400 itens foi esgotada antes mesmo que o verão cantado por eles terminasse. “Nossos empresários não têm medo de arriscar. Depois do CD já lançamos outras músicas, sem vendê-las. Não é todo mundo que pensa assim”, comemora Pe Lanza.

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